Olá, dentista! Imagina um paciente que chega ao consultório com estalo ao abrir a boca e desgaste dos caninos. Quando começa a se queixar de dor ao mastigar e cansaço mandibular. Ele relata apertar os dentes durante o sono e durante o dia também. Algumas perguntas podem surgir: o bruxismo é causa da disfunção temporomandibular (DTM)? O bruxismo é o mesmo que DTM? Qual o impacto do bruxismo nas Desordens articulares e musculares? Qual a relação entre essas condições?
Para saber as respostas científicas atuais para essas perguntas, aproveite a leitura da 7ª edição do Blog Científico da SIBX!
A Complexidade Etiológica da DTM
Antes de entender o papel do bruxismo, é preciso compreender o terreno em que ele atua. A etiologia da DTM é reconhecidamente multifatorial, resultante da interação entre componentes biomecânicos, neuromusculares, biopsicossociais e neurobiológicos¹. Os fatores mais comuns envolvidos no desenvolvimento da DTM são: perda dentária, desgaste dental, próteses mal-adaptadas, restaurações deficientes com contatos prematuros, inclinação dentária decorrente de espaços edêntulos, bruxismo, onicofagia (roer as unhas), apoio da mão na mandíbula, sucção digital ou de chupeta, além de lesões traumáticas ou degenerativas da ATM¹.
Esses fatores são classicamente categorizados em três grupos:
- Predisponentes — condições estruturais, metabólicas e psicológicas que aumentam a suscetibilidade do indivíduo;
- Desencadeantes — trauma ou cargas adversas repetitivas sobre o sistema mastigatório que iniciam o quadro;
- Agravantes — fatores parafuncionais ou hiperfunção, incluindo bruxismo, hormonais e psicossociais que perpetuam ou intensificam a disfunção¹.
Essa categorização tem implicação clínica direta: o diagnóstico e o planejamento terapêutico devem considerar não apenas o fator desencadeante imediato, mas também a predisposição e os agravantes de cada paciente. É dentro desse contexto multifatorial que o bruxismo surge como um dos elementos mais debatidos.
Panorama Epidemiológico
A compreensão da prevalência dessas condições é o primeiro passo para um diagnóstico consciente. Globalmente, a coocorrência de bruxismo e DTM, isto é um mesmo paciente apresentando ambas as condições simultaneamente, é estimada em 17,1%, mas esse número apresenta variações geográficas significativas2. Na América do Sul, essa coocorrência atinge 24,1% da população (IC 95%: 15,1–36,3), uma taxa superior à observada na Europa (13,7%) e na Ásia (9,4%), perdendo apenas para a América do Norte (70%)2. Além disso, cerca de 63,5% dos pacientes diagnosticados com bruxismo no mundo manifestam sintomas de DTM, enquanto na América do Sul esse número cai para 55,5% (IC = 43,5-66,9)2. Não houve diferença relacionada à idade ou ao ano de publicação do estudos incluídos na meta-análise, demonstrando que idade e temporalidade não são variáveis que contribuíram para a diferença significativa entre continentes. Entretanto, o gênero parece ser um fator de risco, dado que a cada 1% de mulheres em qualquer um dos grupos, houve um aumento em 4,4% na probabilidade de co-ocorrência de bruxismo e DTM2.
Nesta edição do blog, abordaremos a DTM como uma unidade clínica, respeitando o reporte da maioria dos estudos, mas é fundamental que você, clínico, utilize os Critérios de Diagnóstico para DTM (DC/TMD) de 2014³ como base. Eles estabelecem que a DTM é um conjunto heterogêneo de desordens musculares e articulares que exigem diagnósticos diferenciais precisos para o sucesso terapêutico³. O DC/TMD padronizou a classificação, separando as desordens da ATM, como artralgia e doenças degenerativas, das desordens musculares (mialgias)³.
Crianças x Adultos
Em 2019, uma revisão sistemática de 10 estudos transversais com meta-análise de 3 deles, liderada por pesquisadores brasileiros, demonstrou que crianças abaixo de 12 anos com bruxismo têm 2,97 vezes mais chances em média de apresentar DTM⁴. Apesar de impactante o número, é preciso interpretá-lo com cuidado, considerando o alto risco de viés dos estudos incluídos, além da heterogeneidade entre os critérios diagnósticos de bruxismo e de DTM, sendo a maior parte baseada em auto-relato dos pais ou das crianças.
Uma recente revisão sistemática, publicada em 2025, avaliou a prevalência de bruxismo de vigília em diferentes populações de adultos, dentre eles indivíduos com DTM5. Utilizando 15 estudos primários, realizaram uma meta-análise e conseguiram identificar uma prevalência de 50% de bruxismo de vigília nos pacientes com DTM (IC = 41,12; 58,93)5. Os autores discutem que esse achado suporta a hipótese da sobrecarga muscular e articular do bruxismo contribuindo com o desenvolvimento, manutenção e exacerbação de sintomas de DTM, sendo inclusive preditores de incidência de DTM. Outro tópico de interesse para o clínico, discutido nessa revisão sistemática, é a importância da abordagem psicossocial no manejo do estresse relacionado ao bruxismo.
Ansiedade e Estresse: o que a pandemia nos ensinou
A associação entre ansiedade, estresse e depressão com DTM também foi abordada em um estudo de revisão sistemática em 20236. A ciência reportou os danos colaterais da pandemia no Brasil e no mundo, e verificou que 51,4% dos pacientes relataram piora nos sintomas de DTM devido ao estresse e à ansiedade gerados pela pandemia do COVID-196. Além de terem detectado um aumento de bruxismo de vigília e do sono durante a pandemia em comparação ao período pré-pandemia, especialmente em mulheres6.
Manifestação circadiana parece influenciar
Quando investigamos especificamente o bruxismo em vigília, os dados são expressivos. Na população geral, a prevalência de “possível” bruxismo (autorrelatada) é de 25,9%, enquanto o “provável” (clínica) é de 16,0%². Um dos estudos incluídos, realizado em população brasileira mostrou que em grupos com mialgia, a prevalência de bruxismo em vigília pode chegar a impressionantes 79,8%².
A intersecção entre distúrbios do sono e DTM foi investigada em uma revisão sistemática que incluiu 22 estudos, incluindo brasileiros7. Os resultados dos 10 estudos que avaliaram DTM e bruxismo do sono foram conflitantes: 4 encontraram associação positiva e 6 não encontraram associação ou encontraram associação negativa. Isso levou os autores a concluirem que não consenso na literatura entre associação de bruxismo do sono e DTM7. A maior parte dos diagnósticos de bruxismo foi baseada em auto relato, e os estudos que fizeram polissonografia, considerado padrão-ouro atualmente para diagnosticar bruxismo do sono, estavam no grupo de resultados negativos. Por outro lado, os poucos estudos que controlaram as análises para fatores de confusão obtiveram associação positiva. Os autores discutem sobre a diferença de resultados quando as DTMs são separadas em grupos musculares e articulares, em que parece haver uma associação positiva significativa somente com o grupo de DTM muscular com bruxismo do sono (OR = 11,22) e não com o grupo articular7. Outro achado interessante desse estudo foi que a má qualidade do sono tem associação consistente com DTM7.
A associação entre um subtipo de DTM (osteoartrite) e distúrbios do sono foi investigada em uma revisão sistemática8. Com base em estudos de baixa a moderada qualidade metodológica, concluiu que não há associação entre bruxismo do sono e osteoartrite e, apesar da tendência, também não há clareza da relação com pobre qualidade do sono8. Os autores citam outra revisão que verificou uma chance 4,45 vezes maior de paciente com sono ruim de desenvolverem DTM8.
De modo similiar, outra revisão sistemática investigou a relação entre a presença de sinais e sintomas musculoesqueléticos e bruxismo em adultos9. Os autores reforçaram que o bruxismo de vigília está fortemente associado à dor miofascial, enquanto o bruxismo do sono (confirmado por polissonografia) não apresenta uma relação linear simples com a dor musculoesquelética aguda9.
Uso de smartphone: o impacto digital quantificado
Em 2025, uma revisão sistemática10 investigou o uso excessivo de smartphones com DTM e verificou uma chance 1,9 vezes maior de pacientes com uso excessivo de celular de desenvolverem DTM (OR = 1,9), associando o vício em celular a bruxismo em 96,7% dos casos10. Além disso verificaram uma correlação direta entre uso de celular, ansiedade, estresse e distúrbios psicossociais com a severidade da DTM10. Apesar de levantar um alerta, esses dados devem ser interpretados com cuidado, visto que a revisão incluiu apenas 7 estudos e havia muita heterogeneidade entre eles, além da revisão ter problemas metodológicos também.
Por fim, em 2026, dados brasileiros em adolescentes confirmaram que a prevalência de DTM nessa faixa etária é de 16,2%, com a ansiedade sendo o principal fator de risco independente11. Apesar das ressalvas, a magnitude da associação não pode ser ignorada. Uma revisão sistemática com 17 estudos e amostras variando de 76 a 4.325 participantes, sintetizaram evidências sobre DTM, sofrimento psicológico e sono em populações jovens. Os resultados revelam que o bruxismo do sono está fortemente associado à DTM com sintomatologia dolorosa, com odds ratios que atingem até 5,52 — ou seja, indivíduos com bruxismo do sono apresentam até cinco vezes mais chances de desenvolver DTM dolorosa quando comparados a indivíduos sem bruxismo. A ansiedade, por sua vez, foi identificada como fator de risco independente, com OR variando de 1,03 a 3,20⁹.
Contudo, é essencial interpretar esses achados com cautela. A maior parte dos estudos incluídos apresenta delineamento transversal, o que impede o estabelecimento de causalidade — não é possível determinar se o bruxismo causa DTM, ou se ambos compartilham fatores subjacentes comuns. A ausência de amostras nacionais representativas e a heterogeneidade metodológica entre os estudos limitam a generalização dos resultados. Portanto, embora a força da associação seja clinicamente significativa, o bruxismo não pode, no estado atual da evidência, ser categorizado como fator causal definitivo da DTM.
Diante desse quadro, é possível concluir que é fundamental controlarmos o bruxismo do paciente sem DTM para evitar possível sobrecarga muscular e articular. Nos pacientes com diagnóstico de DTM muscular o tratamento exige gestão de dor muscular durante o manejo do bruxismo. Em ambos é importante uma anamnese completa e detalhada, incluindo aspectos biopsicossociais, especialmente em crianças e adolescentes. O método DTC criou as rotas de tratamento do bruxismo pensando justamente em facilitar a rotina clínica diária diante de diferentes diagnósticos baseado em bruxismo com e sem dor , com e sem SAOS, com e sem ajuste oclusal nível 1, 2 e 3.
Referências Bibliográficas (Formato ABNT)
- LEKAVICIUTE, R e KRIAUCIUNAS, A. Relationship Between Occlusal Factors and Temporomandibular Disorders: A Systematic Literature Review. Cureus. 2024;16(2):e54130. DOI: 10.7759/cureus.54130.
- ZIELIŃSKI, G. et al. Global co-occurrence of bruxism and temporomandibular disorders: A meta-regression analysis. Dental and Medical Problems, v. 62, n. 2, p. 309-321, 2025.
- SCHIFFMAN, E. et al. Diagnostic Criteria for Temporomandibular Disorders (DC/TMD) for Clinical and Research Applications. Journal of Oral & Facial Pain and Headache, v. 28, n. 1, p. 6-27, 2014.
- OLIVEIRA REIS, L. et al. Association between bruxism and temporomandibular disorders in children: a systematic review and meta-analysis. International Journal of Paediatric Dentistry, v. 29, n. 5, p. 585-595, 2019.
- STANISIC, N. et al. Awake Bruxism Prevalence Across Populations: A Systematic Review and Meta-Analysis. Journal of Evidence-Based Dental Practice, 2025.
- MINERVINI, G. et al. The Association between COVID-19 Related Anxiety, Stress, Depression, Temporomandibular Disorders, and Headaches from Childhood to Adulthood: A Systematic Review. Brain Sciences, v. 13, n. 3, p. 481, 2023.
- AL-JEWAIR, T. et al. Temporomandibular Disorders and Their Association with Sleep Disorders in Adults: A Systematic Review. Journal of Oral Facial Pain Headache, v. 35, p. 41-53, 2021.
- SÁNCHEZ ROMERO, E. A. et al. Association between Sleep Disorders and Sleep Quality in Patients with Temporomandibular Joint Osteoarthritis: A Systematic Review. Biomedicines, v. 10, n. 9, p. 2143, 2022.
- BAAD-HANSEN, L. et al. To what extent is bruxism associated with musculoskeletal signs and symptoms? A systematic review. Journal of Oral Rehabilitation, v. 46, p. 845-861, 2019.
- SAYED ABDUL, N. A Systematic Review on the Impact of Smartphone Usage on Temporomandibular Disorders. Cureus, v. 17, n. 10, e95683, 2025.
- ZHENG, T. et al. Association between temporomandibular disorders, sleep disturbance, and psychological distress in children and adolescents: a systematic review. BMC Oral Health, v. 26, p. 1202, 2026.
Metodologia de Curadoria
Esta curadoria foi realizada com base em 15 revisões sistemáticas e metanálises publicadas entre 2019 e 2026, totalizando mais de 150.000 participantes. Os artigos foram selecionados a partir de busca estruturada nas bases PubMed, SciELO, Web of Science e Scopus, com avaliação de qualidade metodológica mediante a escala AMSTAR 2. A análise prioriza estudos em humanos adultos, com complementação de dados pediátricos quando relevantes para a compreensão da relação bruxismo-DTM.
Mapa de Evidências
Epidemiologia: A Co-Ocorrência é Real, mas Não É Simples
A relação entre bruxismo e DTM começa a ser compreendida quando se analisam os dados de co-ocorrência. Zieliński et al.¹ (2025), em metanálise com 37.680 participantes (30 estudos), estimaram uma co-ocorrência global de 17,1% entre bruxismo e DTM. O achado mais expressivo: 63,5% dos pacientes com bruxismo apresentam DTM¹. A heterogeneidade foi extrema (I² = 99,4%), indicando que a relação é modulada por fatores contextuais — região geográfica, critérios diagnósticos e tipo de bruxismo.
Stanisic et al.² (2025), em metanálise com 51.134 indivíduos (94 estudos), demonstraram que a prevalência global do bruxismo em vigília (AB) é de 25,9% (autorrelato) e 16,0% (avaliação clínica). Em grupos com DTM, essa prevalência sobe para **50,0%**². Essa diferença — de 25,9% na população geral para 50% em pacientes com DTM — sugere uma associação clínica relevante, embora não necessariamente causal.
Dupare et al.³ (2025), em revisão sistemática com 26 estudos, reportaram que o bruxismo está presente em 45–87% dos pacientes com DTM, enquanto a ansiedade acomete 30–60% desse grupo³. A amplitude dessa variação reflete a heterogeneidade dos critérios diagnósticos entre os estudos incluídos.
Direção da Relação: Associação, mas Não Causalidade Linear
A questão central — se o bruxismo causa DTM ou se ambos compartilham fatores etiológicos comuns — permanece em debate.
Baad-Hansen et al.⁴ (2019), em revisão sistemática com 20.176 participantes (51 estudos), concluíram que o bruxismo está associado a sinais musculoesqueléticos, mas sem relação linear causal direta. A associação é fortemente dependente de outros fatores de risco, incluindo idade, tipo de bruxismo (sono vs. vigília) e presença de comorbidades psicológicas⁴. A qualidade metodológica foi classificada como criticamente baixa no AMSTAR 2.
Al-Jewair et al.⁵ (2021), em revisão sistemática com 22 estudos, encontraram associação positiva entre DTM dolorosa e distúrbios do sono, mas a evidência para bruxismo como fator causal foi inconclusiva⁵.
Esses achados sugerem que o bruxismo e a DTM podem compartilhar vias fisiopatológicas comuns — modulação autonômica, arquitetura do sono, suscetibilidade genética — em vez de uma relação causa-efeito unidirecional.
Bruxismo do Sono como Fator de Risco
Apesar da ausência de causalidade linear, o bruxismo do sono emerge como um fator de risco importante. Zheng et al.⁶ (2026), em revisão sistemática com 17 estudos, identificaram que o bruxismo do sono está fortemente associado à DTM (OR até 5,52). A ansiedade foi identificada como fator de risco independente (OR 1,03–3,20)⁶.
Em crianças, Oliveira Reis et al.⁷ (2019) demonstraram que crianças com bruxismo têm 2,97 vezes mais chances de apresentar DTM⁷. Embora a população seja pediátrica, o achado reforça a natureza dose-dependente da associação: quanto mais precoce o bruxismo, maior a probabilidade de desenvolvimento de DTM.
Fatores Oclusais e Biomecânicos
Lekaviciute e Kriauciunas⁸ (2024), em revisão com 21 artigos, analisaram a associação entre má oclusão, bruxismo e perda dentária com DTM. Os resultados indicam que bruxômanos têm mais chances de dor miofascial, e que a perda dentária correlaciona-se com maior frequência de sinais de DTM⁸. No entanto, os autores destacam que o debate sobre fatores oclusais e DTM permanece controverso na odontologia.
Sorrenti et al.⁹ (2024), em estudo com 478 pacientes avaliados por RM bilateral da ATM, identificaram correlação moderada entre o lado doloroso e o contralateral para deslocamento de disco e alterações ósseas⁹. Esse achado sugere que a sobrecarga biomecânica induzida pelo bruxismo pode afetar bilateralmente as estruturas articulares, possivelmente por redistribuição assimétrica das forças mastigatórias.
Fatores Psicológicos como Moduladores da Relação
A ansiedade e o estresse emergem como moduladores críticos da relação bruxismo-DTM em múltiplos estudos:
- Zheng et al.⁶ (2026): ansiedade como fator de risco independente (OR 1,03–3,20)
- Dupare et al.³ (2025): ansiedade em 30–60% dos pacientes com DTM e bruxismo
- Minervini et al.¹⁰ (2023): ansiedade relacionada à COVID-19 associada a aumento de DTM em 51,4% dos pacientes
- Sánchez Romero et al.¹¹ (2022): 52,4% dos pacientes com osteoartrite da ATM apresentam distúrbios do sono
A ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e a modulação autonômica associadas ao estresse crônico podem perpetuar tanto a atividade parafuncional quanto a cronificação da dor, criando um ciclo de retroalimentação entre bruxismo e DTM.
Qualidade da Evidência: Uma Limitação Importante
A avaliação AMSTAR 2 revela que a maioria dos estudos tem qualidade metodológica limitada:
| Classificação AMSTAR 2 | Nº de artigos |
| Baixa | 5 (Artigos 2, 5, 8, 11, 14) |
| Criticamente baixa | 10 (Artigos 1, 3, 4, 6, 7, 9, 10, 12, 13, 15) |
As principais limitações identificadas incluem: ausência de lista nominal de estudos excluídos (Item 7), busca restrita a poucas bases (Item 4), ausência de protocolo prévio (Item 2) e não discussão do risco de viés na interpretação dos resultados (Item 13). Essa limitação metodológica deve ser considerada ao interpretar os achados.
Conclusão Prática
A relação entre bruxismo e DTM pode ser sintetizada em cinco pontos:
- A co-ocorrência é clinicamente relevante: 63,5% dos pacientes com bruxismo apresentam DTM, e a prevalência de bruxismo em vigília dobra (de 25,9% para 50%) em pacientes com DTM.
- Não há causalidade linear comprovada: O bruxismo está associado a sinais musculoesqueléticos e dor miofascial, mas a relação é multifatorial e não unidirecional. Fatores compartilhados — modulação autonômica, arquitetura do sono, suscetibilidade psicológica — parecem mediar a associação.
- O bruxismo do sono é o subtipo com maior força de associação: OR até 5,52 para DTM, sugerindo que os mecanismos relacionados ao sono (microdespertares, ativação autonômica) desempenham papel central.
- Fatores psicológicos modulam a relação: Ansiedade e estresse estão presentes em 30–60% dos pacientes com DTM e bruxismo, atuando como amplificadores tanto da atividade parafuncional quanto da percepção dolorosa.
- A qualidade da evidência é limitada: A maioria dos estudos apresenta classificação AMSTAR 2 baixa ou criticamente baixa, indicando a necessidade de revisões sistemáticas mais rigorosas para confirmação dos achados.
Referências
- Zieliński G, et al. Global co-occurrence of bruxism and temporomandibular disorders: a meta-regression analysis. Dent Med Probl. 2025;62:309–321.
- Stanisic N, et al. Awake bruxism prevalence across populations: a systematic review and meta-analysis. J Evid Based Dent Pract. 2025;25(3).
- Dupare AS, et al. Associations of bruxism, sleep, anxiety, and headache in TMD: a systematic review. 2025.
- Baad-Hansen L, et al. Bruxism and musculoskeletal signs: a systematic review. 2019.
- Al-Jewair T, et al. Associations between TMD and sleep disorders in adults: a systematic review. 2021.
- Zheng T, et al. TMD, sleep, and psychology in youth: a systematic review. 2026.
- Oliveira Reis L, et al. Bruxism and TMD in children: a systematic review. 2019.
- Lekaviciute R, Kriauciunas A. Occlusal factors and TMD: a systematic review. 2024.
- Sorrenti NG, et al. Bilateral TMJ MRI findings: a systematic review. 2024.
- Minervini G, et al. COVID-19, anxiety and TMD: a systematic review. 2023.
- Sánchez Romero EA, et al. Sleep disorders and TMJ osteoarthritis: a systematic review. 2022.